quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Capacidade e potência aeróbia em jogadores de futebol de diferentes posições




Resumo

          O futebol é um esporte coletivo em que cada jogador tem sua função especifica, dessa forma, as demandas fisiológicas também variam de acordo com a posição em que se atua. Assim, o presente estudo teve como objetivo verificar as diferenças na capacidade e na potencia aeróbia, por meio do ponto de deflexão da freqüência cardíaca (PDFC) e do pico de velocidade (PV), entre os jogadores de diferentes posições. 


Participaram do estudo 35 atletas de futebol pertencentes à categoria juniores de duas equipes profissionais de nível nacional. Os atletas foram subdivididos em grupos de sete jogadores de acordo com a posição que atuam: atacantes (AT), meio campistas (MC), laterais (LA), zagueiros (ZA) e volantes (VO). Inicialmente os atletas foram submetidos a uma avaliação antropométrica (massa corporal, estatura e medidas de dobras cutâneas) e em seguida realizaram um teste incremental de corrida intermitente (TCar) para a determinação do PV e PDFC. Foi empregada a estatística descritiva (média e desvio-padrão). 


Para a comparação dos valores entre os jogadores de diferentes posições foi utilizada a análise de variância ANOVA, com posterior aplicação do teste de Tukey. Foi adotado um nível de significância de p < 0,05. Os resultados demonstraram não haver diferenças significativas nos indicadores de potência (ZA:16,8±0,89; LA: 17,2±1,02; VO: 16,8±1,0; MC: 16,8±0,5 e AT: 16,3±1,0) e capacidade aeróbia (ZA: 14,0±1,1; LA: 14,1±1,3; VO: 13,7±0,7; MC: 13,5±0,4 e AT: 13,5±1,4). 


Com base nos resultados encontrados, pode-se concluir que jogadores de futebol de campo da categoria juniores de variadas posições não apresentaram diferenças para os indicadores de potência e capacidade aeróbia, o que pode ser atribuído ao período que os atletas foram avaliados, além do fato de no futebol geralmente não utilizar-se treinamentos físicos diferenciados para cada posição, exceto para os goleiros.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bioenergética: base da fisiologia do esforço

O estudo da fisiologia do corpo humano e preparação física esportiva é uma das áreas de conhecimento do movimento humano que mais cresceu nas últimas décadas. Muitas dúvidas importantes foram respondidas no assunto, e ainda assim existem muitas controvérsias e teorias que vêm sendo analisadas para uma melhor explicação aos variados processos desse universo em miniatura, o corpo humano. Este artigo tem como objetivo fazer breve revisão da literatura a respeito da fisiologia do esporte abordando os principais aspectos dos sistemas que são responsáveis pela prática de toda e qualquer modalidade esportiva, em toda e qualquer categoria - os sistemas energéticos de produção de energia.


Como se sabe, para o corpo humano realizar suas atividades ele utiliza ATP (adenosina trifosfato), que nada mais é que uma adenosina ligada a três grupos fosfatos. Quando a enzima ATPase liga-se à molécula de ATP, rompe-se desta um fosfato inorgânico (Pi), formando um ADP + Pi (adenosina difosfato + fosfato inorgânico). Essa reação fornece cerca de 7,6 kcal. É a partir daí que o ciclo ATP-CP se inicia. Um mol de fosfocreatina (CP) liga-se à enzima creatina quinase (CK), ocorrendo o rompimento na ligação dos elementos, fornecendo energia (CP → C + Pi + energia). Esta energia fornecida na quebra da fosfocreatina é utilizada para ligar o Pi com o ADP, “recriando” um ATP (ADP + energia + Pi → ATP). Tal sistema tem como função apenas manter as concentrações de ATP (diminuindo a concentração de CP) e não necessita de O2, por isso se diz anaeróbio. Tal mecanismo pode fornecer energia de 3 a 15 segundos em uma atividade física intensa. (WILMORE; COSTILL; 2001).
Em termos práticos, pode-se dizer que o sistema anaeróbio alático (sem produção de ácido lático) ocorre nos jogadores de futebol quando os mesmos realizam sprint máximo ou nos atletas de 100 m rasos do atletismo, atletas de 50 m livres da natação e assim por diante. Esse é o sistema mais simples que o organismo humano possui para síntese de energia e ressíntese de ATP. Quando a creatina fosfato depleta ou quando o tempo de duração da atividade for mais prolongado, o músculo passa por outros sistemas de produção de energia mais complexos: a glicólise e a fosforilação oxidativa.
No sistema glicolítico, ocorre a glicólise (“quebra” de glicose ou glicogênio) no hialoplasma. O carboidrato passa por 12 reações envolvendo enzimas glicolíticas até ser degradado em duas moléculas de ácido pirúvico, tendo como saldo a produção de três ATPs (quando utilizado glicogênio) ou dois ATPs (quando utilizada a glicose). Após a formação dos dois ácidos pirúvicos, podem ocorrer dois processos: primeiramente, o ácido cai no sistema oxidativo (que veremos a seguir) se puder ser reagido com o oxigênio e houver tempo para isso. O outro processo é a combinação das duas moléculas de ácido pirúvico com os íons hidrogênio para formação do ácido lático, sendo este o primeiro processo de tamponamento do hidrogênio.
Quanto maior a quantidade de hidrogênio, menor o pH e mais ácido se torna o meio, fazendo com que algumas enzimas percam suas atividades. Assim, o hidrogênio inibe a glicólise e suas reações, não havendo, portanto, produção de ATP. Além disso, a acidez reduz a capacidade das fibras ligarem-se ao cálcio, impedindo a contração muscular. O segundo processo de tamponamento do hidrogênio é a combinação do bicarbonato de sódio com o ácido lático, formando lactato de sódio e ácido carbônico, que logo se dissocia em água e dióxido de carbono.
Contudo, o excesso de ácido láctico não é o responsável pela fadiga muscular e nem pela cãibra, como o senso popular acredita. A cãibra muscular até hoje é uma dúvida das ciências do esporte, pois não se sabe com certeza qual mecanismo é o mais determinante para que ela ocorra. Porém, a ciência já sabe que a cãibra pode ser causada por quatro fatores diferentes: acúmulo de subprodutos metabólicos (hidrogênio); falha nos mecanismos de contração muscular (sódio ou potássio, principalmente sódio, que aparece em maior quantidade no suor); falta de substratos energéticos, que nada mais é do que a falta de carboidrato ou gordura para a geração de energia (principalmente a falta de carboidrato), sendo este um dos motivos pelo quais os jogadores de futebol não poderem atuar todo dia, fornecendo ao organismo o tempo necessário para a recomposição dos estoques de glicogênio; e o último possível motivo da cãibra é a fadiga do sistema nervoso central, onde o próprio sistema nervoso apresenta maior dificuldade em manter a eficiência dos movimentos ou dos gestos desportivos (POLITO, 2008).
O sistema glicolítico é muito utilizado em modalidade de velocidade, como os 400 m rasos do atletismo, pois é um sistema de rápidas reações. Porém, ao mesmo tempo é um sistema limitado, já que provoca acidose metabólica, gerando a fadiga muscular. O sistema glicolítico possui tempo de ação de aproximadamente um minuto, enquanto isso, o sistema energético mais prolongado que existe até hoje descoberto pelas Ciências do Desporto é o sistema oxidativo.
O sistema oxidativo é composto de várias reações químicas, não sendo o objetivo do presente artigo dar conta de todas elas, mas sim fazer um exposição geral acerca do funcionamento desse sistema. O produto final da glicólise (ácido pirúvico) ingressa na mitocôndria. Cada molécula desse ácido possui três átomos de carbono. O ácido pirúvico perde uma molécula de CO2 (eliminado para o ambiente pelos pulmões), convertendo-se em ácido acético, com dois átomos de carbono. Este se une a uma substância chamada Coenzima A, formando o acetil-CoA. Antes de prosseguir, é importante ressaltar que no ciclo de Krebs, o acetil-CoA (que advém do CHO ou da gordura) precisa formar citrato e, para isso, junta-se ao oxaloacetato (OAA, formado por glicose).
Por isso, chega-se à conclusão de que para a utilização da gordura para síntese de energia, o organismo necessita de qualquer forma de glicose, “desmitificando” a teoria de que uma pessoa pode emagrecer em jejum, por exemplo, pois no estado de restrição alimentar esta pessoa estaria com sua taxa de açúcar depletada no organismo. (COSTA; MARQUEZZI, 2008).
Após esse ciclo, o NADH2 e o FADH2, antes surgidos, entrarão em uma cadeia de transportes de elétrons (a cadeia respiratória), onde uma série de reações promove a liberação de energia dos elétrons. Finalmente essa energia é canalizada para a síntese de ATP (ADP + energia + Pi → ATP) no processo de fosforilação oxidativa. Agora, os prótons e elétrons transportados na cadeia respiratória unem-se ao O2, formando água e evitando assim qualquer acidificação no interior das células. Nesse momento, são formados 38 ou 39 ATP caso seja utilizada a glicose ou o glicogênio, respectivamente, sendo por este motivo que recebe o nome de oxidação de carboidrato.
Contudo, sabe-se que, como o carboidrato, a gordura também contribui para as necessidades energéticas dos músculos. As reservas do glicogênio muscular e hepático são capazes de fornecer 1.200 a 2.000 kcal de energia, mas as gorduras armazenadas no interior das fibras musculares podem fornecer pelo menos 70.000 a 75.000 kcal, mesmo num adulto magro.
Os ácidos graxos provenientes dos triglicerídeos passam pela chamada Beta-Oxidação (β-oxidação), em que há um catabolismo enzimático feito pelas mitocôndrias, gerando ácido acético. Cada um deste transforma-se em acetil-CoA, passando a partir de então pelo mesmo ciclo antes explicado (ciclo de Krebs).
Não se deve descartar a ideia de que certa quantidade de gordura fornece muito mais energia que uma mesma quantidade de carboidrato, devido à maior formação de acetil-CoA.
A proteína muitas vezes também é utilizada para síntese de energia. Alguns aminoácidos podem ser convertidos em glicose através da gliconeogênese, e a partir disso entrarem no processo oxidativo como acetil-CoA. O uso da proteína muitas vezes pode degradar o músculo de um atleta mal alimentado, pois na falta de carboidrato ou gordura para oxidar, a proteína formadora da massa magra (músculos) também é oxidada, deixando o atleta mais fraco fisicamente.


Bibliografia


COSTA, A. S. & MARQUEZI, M. L. Implicações do jejum e restrição de carboidratos sobre a oxidação de substratos. Revista Mackenzie de cãocação Física e Esporte, v. 7, n. 1, 2008. P.119-129.


POLITO, L. F. T. A verdade sobre o potássio, a cãibra e a banana: será o potássio o herói e a banana a vilã? Universidade do Futebol. http://cidadedofutebol.com.br/Universidade/Web/Site/index_area_saude.asp?arq=artigo.asp&id_cont=1615. Acesso em 26/08/2008 às 13:46.


WILMORE, J. H.; COSTILL, D. L. Fisiologia do esporte e do exercício. 2ª ed. São Paulo, Manole, 2001. 709 p.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A fisiologia da tática: ganha quem corre mais ou quem joga mais?

Fadiga dos jogadores não está associada a um motivo exclusivo: "correr sem significado" não tem o mesmo desgaste do "correr com significado"


Diversas são as investigações científicas que buscam compreender a fadiga do jogador de futebol durante as partidas.Em geral, tem se tentado associar uma possível queda de desempenho dos jogadores a fatores que vão desde o estado nutricional dos atletas até a melhor distribuição de cargas de treino ao longo dos dias de trabalho.Um dos vilãos mais comumente apontados pela literatura especializada é o decréscimo nas reservas de glicogênio nos músculos envolvidos nas ações dos jogadores no jogo.


 Os principais argumentos para sustentar essa idéia (do vilão glicogênio) agrupam-se em análises que quantificam o glicogênio muscular pré e pós-partidas (e ainda intervalos dos jogos) e em rastreamentos que buscam apontar a diminuição das distâncias percorridas durante os jogos em “sprints” e em volume total.Segundo Reilly, Drust, Clarke (2008), diversos estudos têm concordado que comparado ao 1º tempo de uma partida, o 2º tempo tem uma distância média percorrida pelos jogadores, menor. Os pesquisadores Mohr, Krustrup, Bangsbo (2003), por exemplo, apontam que em jogos analisados no seu estudo a distância percorrida pelos jogadores no 1º tempo foi em média 160 metros maior do que no 2º tempo.Em acordo com esses dados podemos citar ainda alguns números dos jogos semi-finais (ida e volta) da Uefa Champions League 08/09.


Exceto eu um último jogo entre as equipes do Chelsea FC e do FC Barcelona em Londres, todas as demais partidas tiveram uma diminuição na distância total percorrida pelas equipes do 1º para o 2º tempo. Notemos que em média a variação dessa distância esteve em torno de -3.94%, tendo seu maior valor alcançado pela equipe do Manchester United em sua segunda partida contra a equipe do Arsenal FC (-9.04%).Vale a pena destacar, porém, que estatisticamente as pesquisas científicas que têm investigado as distâncias percorridas pelos jogadores em partidas de futebol no mundo todo não têm encontrado diferenças significantes (sob o ponto de vista estatístico) entre os valores obtidos nos 1º e 2º tempos dos jogos.Quando observamos a diferença entre as distâncias percorridas em alta intensidade, a variação percentual entre os dois tempos da partida de futebol aumenta. 


Com base em Barros et al (2007) que observou jogos entre equipes brasileiras, ela chega a -15.73% para corridas entre 19 km/h e 23 km/h, e aproximadamente -10.82% para sprints com velocidade igual ou superior a 23 km/h.Concomitantemente a esses fatos, estudos têm demonstrado que comparada as condições iniciais, a quantidade de glicogênio muscular de jogadores após partidas de futebol tem uma diminuição significante; cerca de -43.20% na média.Com diminuição tão acentuada na quantidade total de glicogênio muscular, com o fato de que seu restabelecimento dar-se-á através do consumo de carboidratos e que o preenchimento total dos estoques nos músculos pode levar mais do que 72 horas (algumas pesquisas apontam 48 horas, mas estudos específicos com jogadores de futebol têm demonstrado que esse tempo é maior após o desgaste de um jogo de 90 minutos), deveríamos acreditar realmente que a escassez nesse “combustível” por parte de uma equipe a levaria a drásticas consequências em uma partida de futebol.Mas vamos aos fatos. A outros fatos.


Em 1982, os jogadores da seleção de futebol do Kuwait, então dirigido por Carlos Alberto Parreira, por ocasião do Ramadã, mergulharam em períodos de jejum total durante a Copa do Mundo da Espanha, sendo mais problemático o realizado entre o 2º jogo (contra a França) e o 3º jogo (contra a Inglaterra) da 1ª fase da competição. Desgastada pela sequência de partidas e já em seu último confronto, os kuwaitianos em jejum enfrentaram a seleção inglesa, em um jogo em que por diversos motivos (inclusive o jejum) as apostas apontavam para um “passeio” (massacre, atropelo, etc.) dos ingleses. O resultado do jogo: Inglaterra 1 vs 0 Kuwait; e nada de passeio.


Como seria possível que o kuwaitianos tivessem jogado – sem desconsideramos suas outras limitações – em “bom nível físico”?Obviamente, como já disse anteriormente, a fadiga de jogadores em partidas de futebol não está associada a um motivo exclusivo. O que ocorre é uma associação de fatores que juntos contribuem para a queda de performance das equipes em jogos de futebol.Medir a performance a partir de “distância total percorrida”, “distância percorrida em alta intensidade” ou “número de sprints” durante jogos, e ainda, associá-la a este ou aquele fator, única e simplesmente, é desconsiderar por completo a essência complexa do jogo.O “correr sem significado” não tem o mesmo desgaste do “correr com significado”; o “correr sem significado”, no âmago das coisas, não é nem de longe parecido com o “correr com significado”.O “correr sem significado” é movimento sem sentido, enquanto que o “correr com significado” é ação com jogo.Olhar para dados referentes às distâncias percorridas em jogo numa perspectiva complexa é entender que eles são sintomas de um jogar, e não causa do jogo.


Enquanto acreditarmos que eles são causa, continuaremos acreditando que dados relativos as distâncias percorridas em jogo e números de sprints são reflexos de uma performance ingenuamente chamada de “física”, influenciada diretamente pelos níveis de glicogênio nas fibras musculares.Quando entendermos que eles são sim sintomas de um jogar, aí... Bom aí pode ser que já tenhamos errado o planejamento e perdido o jogo.


Textos científicos mencionados nessa coluna:
BARROS, R.M.L. et al. Analysis of the distances covered by first division Brazilian soccer players obtained with na automtic tracking method. Journal of Sports Science and Medicine, v.6 p. 233-242, 2007.
MOHR, M. KRUSTRUP, P. BANGSBO, J. Match performance of high-standard soccer players with special reference to the development of fatigue. Journal of Sports Science, v. 21, p. 519-528, 2003. REILLY, T., DRUST, B., CLARKE, N. Muscle fatigue during football match-play. Sports Medicine, v. 38, p. 357-367, 2008.Para interagir com o colunista: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

A preparação física no FC Barcelona

Certos fenômenos precisam ser observados por um tempo, que tem que ser o tempo do 'próprio fenômeno', e não o tempo que nós damos a ele


A preparação física no futebol vem evoluindo e sofrendo constantes transformações desde que passou a ser formalizada nas sessões de treinamento das equipes. No mundo todo, a organização do processo de treinamento desportivo também passou por modificações, que, de certa forma, influenciaram as transformações que se refletiram no futebol.Recentemente, o responsável pela preparação física da equipe do FC Barcelona, Francisco Seirul-lo Vargas (está lá, nesse trabalho, desde 1994), em um congresso na Espanha, surpreendeu a todos (ou quase todos), e, inclusive ao renomado cientista do treinamento Jurgen Weineck – presente no evento –, em sua explanação, mostrando que em sua equipe os treinamentos “físicos” são realizados de maneira integrada aos objetivos do treinador e são elaborados para contribuir com a construção do modelo de jogo adotado pelo FC Barcelona.


Seus treinos, então, pautados no jogo a ser jogado, distinguem-se do que tradicionalmente são adotados como modelo, meios e métodos de treinamento. As avaliações dos jogadores são qualitativas, realizadas no próprio jogo. Não há RASTs, Yo-Yos, testes de velocidade de limiar de lactato, altura de salto, etc., etc., etc. A melhor avaliação – parafraseando alguns presentes no evento –, é o futebol apresentado e o resultado dos jogos.Claro, isso não quer dizer que devamos parar tudo, jogar fora décadas de treinos, e começar novamente de outro jeito.


É inegável que métodos tradicionais têm conquistado grandes resultados – isso é um fato. O que quero destacar é que, primeiro, para a contextualização de um mesmo problema, caminhos diversos podem ser adotados como solução, e, esses caminhos, em curto e médio prazo (ah, o tempo!), podem não apresentar diferenças aparentes nos resultados obtidos; segundo, já faz algum tempo que um grupo (pequeno) de pessoas aqui no Brasil (treinadores de futebol, professores, cientistas) está apontando para o caminho descrito pelo preparador físico do FC Barcelona (inclusive com maiores avanços em algumas coisas), mas como o bom capital simbólico dessas pessoas está concentrado em alguns poucos nichos, a informação acaba não se disseminando.Sobre o primeiro “destaque”, quero dizer, apoiado em um Prêmio Nobel, o pesquisador Ilya Prigogine, que certos fenômenos precisam ser observados por um tempo, que tem que ser o tempo do “próprio fenômeno”, e não o tempo que nós damos, sem saber, para ele. 


Então, se por enquanto, aparentemente, caminhos diferentes têm levado a bons resultados, aguardemos pelo que virá – e aos meus olhos, ao menos o jogar do FC Barcelona já me parece bem diferente de alguns outros.Sobre o segundo “destaque”, quero dizer, que façamos essa forma diferente da tradicional, de pensar a preparação desportiva, atingir rapidamente os alvos certos (os nossos treinadores de ponta, os preparadores físicos, os dirigentes). Nossos “pensadores da práxis” precisam ser ouvidos. Não dá para esperar o FC Barcelona ganhar mais um jogo (porque tem gente que vai acreditar, que o problema são só as “cifras”).Então, pessoal, falem para o Juca (o Kfouri), quem sabe ele escuta, e convida um deles para uma entrevista na ESPN; ou então falem ao Jô (o Soares, para uma conversa inteligente), o Trajano, o Tostão, sei lá...Só não me venham com o Galvão...
Rodrigo Azevedo Leitão
rodrigo@universidadedofutebol.com.br

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Relação entre a velocidade, a agilidade e a potência muscular de futebolistas profissionais

António N. Rebelo
José Oliveira
Faculdade de Desporto
Universidade do Porto
Portugal


RESUMO
A velocidade, agilidade e a potência muscular são qualidades
importantes para a performance física do futebolista. No presente
estudo, avaliou-se o desempenho de futebolistas em testes
de terreno e de laboratório para as referidas capacidades e
determinou-se a força de associação entre elas.
Foram avaliados 23 futebolistas profissionais participantes na
Super Liga de Futebol Portuguesa, aos quais foram aplicados os
seguintes testes: velocidade em 15m (V15), velocidade em 35m
(V35), agilidade (AGI) e potência máxima(MP) em dinamómetro
isocinético (Biodex - System 3, NY, USA).
A força de associação entre as medidas dos testes V15, V35 e AGI
revelou ser moderadamente elevada a elevada (r=0,60 a r=0,86).
A MP dos músculos extensores e flexores do joelho mostrou uma
correlação moderada com a performance no V15 e no AGI, mas
apenas na velocidade angular mais alta (6.28 rad.s-1).
Os resultados do presente trabalho sugerem que a MP é fundamental
para o desempenho nos testes V15 e AGI. A determinação
da MP em dinamómetro isocinético deve ser obtida em
velocidades angulares tão elevadas quanto o instrumento o
possibilite. Finalmente, embora os testes não se substituam
uns aos outros, os testes V15 e AGI estarão mais próximos nos
atributos que cada um deles avalia.
Palavras-chave: futebol, velocidade, agilidade, potência muscular

Relação Entre Força Muscular de Membros Inferiores e Capacidade de Aceleração em Jogadores de Futebol

Por: MENZEL, Hans-Joachim; CHAGAS, Mauro Heleno; SIMPLÍCIO, Afonso Timão;
Revista Paulista de Educação Física - v.19 - n.3 - 2005
Resumo
Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre diferenças bilaterais de força muscular dos membros inferiores (MMII) com a velocidade de locomoção com giros para a direita e para a esquerda em jogadores de futebol. A amostra foi constituída por 19 atletas da categoria júnior com média de idade de 18,58 ± 0,77 anos. A capacidade de aceleração dos indivíduos foi medida com o uso de fotocélulas através de corridas de 15 m realizadas em linha reta e com giro de 90º para a direita e para a esquerda aos 7,5 m. Através do “Squat Jump” monopedal (SJm) sobre uma plataforma de força foram identificadas possíveis diferenças laterais de força muscular. O nível de significância adotado foi de p < 0,05. Exceto para as variáveis dependentes do tempo obtidas através do SJm, os coeficientes de confiabilidade (rc) para as variáveis analisadas foram maiores que 0,85. Para a identificação de possíveis correlações entre diferenças laterais de força muscular e diferenças laterais da capacidade de aceleração foi aplicado o teste de contingência. O único coeficiente significante (p = 0,05) foi encontrado entre a perna dominante e a força concêntrica máxima. Nesse estudo não foram encontradas correlações significativas entre a força muscular de MMII e a capacidade de aceleração envolvendo mudanças de direção em jogadores de futebol. UNITERMOS: Futebol; Força; Capacidade de Aceleração.
Endereço: http://www.usp.br/eef/rbefe/v19n32005/v19n3p233.pdf

Ação moduladora da crioterapia na concentração sérica de CK em jovens atletas de futebol

Autores: João Baptista Fonseca Neto Machado, André Ferreira-Teixeira, Marco Machado, Franz W. Knifis, Cícero Figueiredo-Freitas, Danilo da Silva Moreira

Resumen:
A crioterapia é cada vez mais utilizada como recurso para melhora da performance durante competições e como facilitador da recuperação de atletas. OBJETIVOS: Verificar se a crioterapia após treinamento altera a concentração dos marcadores de lesão muscular em atletas de futebol. METODOLOGIA: Atletas de futebol (14-20 anos) foram aleatoriamente divididos em dois grupos: CRIO (n = 9) e CONT (n = 10). Todos realizaram uma Corrida Contínua em Velocidade Variável (CCVV) de 50 min e logo depois CRIO foi submetido a 15 min de submersão em água a 8°C. Sangue venoso periférico foi coletado antes (0h), 24, 52 e 76 horas após o CCVV para dosagem de CK. RESULTADOS: Os grupos analisados eram homogêneos em MCT, MCM e %G (p>0,05). O grupo CONT não apresentou variação da concentração de CK em nenhuma das coletas após o exercício (p>0,05). A concentração sérica de CK em CRIO variou nas 24h após exercício e posteriormente retornou aos valores basais. CONCLUSÃO: A partir dos dados podemos postular que o CCVV não foi capaz de provocar lesões suficientes para alterar a concentração de CK, porém a submersão em água fria induziu ao aumento desta concentração provavelmente pela resposta corporal de contração muscular para regulação da temperatura.